Lisboa
por trás dos muros da
cidade no seu coração profundo de alicerces de argilas e
de sísmicos arroios - cresce uma voz que sobe e
fende a brandura das casas da escrita dos
enumeráveis povos quase nada resta - deitas-te exausto na
lâmina da lua sem saberes que o tejo te corrói e te
suprime de todas as idades da europa mais além -
para os lados do corpo - permanece a tosse dos
cacilheiros os olhos revirados dos mendigos - o tecto onde
um navio nos separa de um vácuo alimentado a
soro plátanos brancos recortam-se luminescentes no olhar de
quem nos olha contra um céu desesperado - jardim de
íris açucenas palmeiras cobertas de rocio e a ponte
que nos leva aos campos do sul - lisboa
lugar derradeiro do riso que já não te pode salvar
do cemitério dos prazeres e
morres carregado de tristezas e de mistérios -
morres algures sentado numa praceta de bairro - o olhar fixo no
inferno marítimo das aves
Al Berto
________________________________________
Se gostas de Poesia ajuda a divulgar este Blog
Tem cerca de 2000 poemas dos mais diversos autores
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário