Mulher VII
a mulher, do outro
é melhor que a minha
é um colossal tesouro
que desvendei na caminha
só tem coisas boas
não maça com ninharias
não fala de bodas
mas come as iguarias
se necessário, vem
para podermos brincar
se por acaso não convém
não ficamos a chorar
fica a marinar o desejo
ficam na mesa os talheres
na memória um beijo
para usares quando puderes
e depois de uma ausência
que seca a terra por lavrar
vem a esperada abundância
como chuva que cai no mar
ai esbraceja até fartar
numa colossal ondulação
brota desejo do olhar
e um calor no coração
terminada a sua faina
volta a casa e nada fala
o desejo agora amaina
o outro, sabe e cala
Atit Ordep
27/09/2009
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