vini, vidi, vinci
tua boca
fermentou minha espera
meus dias de língua
de semente a videira
dá-me um Prosecco
é urgente
sentir a síntese do teu beijo
pelas bolhas
que saltam da taça
teu beijo não cabe na minha boca
por isto
multiplico minha pele em lábios
Dali que me perdoe
mas o plágio é inevitável
agora
só o surrealismo me salva
meu corpo é uma única boca
grande
Babel revisitada
cada dente gritando
teu nome em todos os idiomas
e uma língua
dicionária
percorre
do ideograma milenar ao ícone high-tech
traduz
teu beijo maior ainda
lambe a tela
devassa os limites
funde
paredes chão e teto
em espasmos
dos tempos
de desejos espumantes
desarrumando a mobília
é o que me lembro
de resto é gozo que começa
abro as janelas da minha casa
para tua boca escorrer
enfeitando minhas fachadas urbanas
antes modernas
hoje
antiga felicidade quase esquecida
art décor
al-chaer
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