Dias e noites iguais
a manhã, nada traz de novo
apenas, uma eterna mudança
vagarosa e arredondada
dos dias que se tocam e unem
como se fossem um só.
assim o sol e a lua
dançam valsas infindáveis
casualmente interrompidas
para um beijo breve
quando se unem num só
escurecendo, apavorando
todos os medos reprimidos.
vem o mar, furioso
com o devaneio da lua
e trepa pela orla mareante
empurrado pelo ciúme
para logo voltar atrás
assim que a raiva se desvanece.
a noite, nada traz de novo
apenas, o cansaço e a solidão
que se infiltra no corpo
para de manhã acordar
com um dia novo.
a lua aproveita para brilhar
apavora, enfeitiça, revela
todos os sentimentos
vividos por humanos
enquanto o sol dorme.
de olhos fechados, os amantes
fantasiam sob a lua
divertimentos corporais
sempre iguais
aos dias do mundo
em movimento perpétuo.
Atit Ordep
01/09/2007
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