Fado de mim


É de mim que (ainda) guardo
Esta ilusão
De ouvir (um dia) a minha voz
Cantar o fado
Em frente a mim (silenciosa)
A multidão
E uma Dama (a sorrir) sempre
Ao meu lado.

É de mim que sai este grito
Esta verdade
De querer ser (também) assim
Artista!
Por mim! (porquê) meu Deus
Se tanta vontade
E nunca me ajudaste
A ser fadista.

Ouço o trinar das guitarras
A gemer
Ouço as vozes que me envolvem
E fico assim
A pensar na felicidade que tiveram
Por saber
Cantar o fado, aqueles que (nunca)
Terão fim.

Olho (para mim) e já não vejo
Já não Sou...
Espelho ingrato que me mostras
Esta figura
Que rosto é este que chora
E tanto amou...
Mas não compreende Ter de sofrer
Esta amargura.

Paulo Filipe

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