Passados 20 anos sobre a morte do poeta, não é preciso lembrar uma obra que ninguém esqueceu, e que, para isso, pôde prescindir de todos os subsídios de inserção académicos.
Já vai longa a noite. E se parece ter sido há bastantes anos, as vontades são as mesmas, os tempos pouco mudaram. Dezassete de janeiro de 1992: num regresso à cidade onde nasceu, Coimbra, Al Berto prepara-se para ler numa sessão para a qual ele e outros poetas foram convidados no bar da associação de estudantes (Centro Cultural Dom Dinis). Com ele, antes dele, tinham lido Manuel Fernando Gonçalves, Helder Moura Pereira, António Franco Alexandre... faltava ainda Paulo da Costa Domingos. Mas não se podia. O barulho não deixava. Os estudantes queriam lá saber dos poetas.
Sobrevive o registo áudio, e ouve-se melhor o poeta hoje, a irritação e a tristeza que tem deixado tão claro que «se for um merda com uma guitarra, que faz três acordes, vocês estão em silêncio porque se curte e é imensamente bom para a carola. A poesia, pá, lamento... Boa ou má, talvez não fosse má ideia ouvir. E suponho que há montes de gente nesta sala que nunca abriu um livro de poesia sequer.»
Extrato de artigo no Jornal i de 18/06/2017
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