Uma coisa sem título e apócrifa


Um Moisés
decepado
segurando nos dentes
bordão curto demais
para nascente

Um arbusto tão curto
que o seu fumo crescesse
para logo morrer
e nunca mais

Luminosas partículas de pó,
Abraão sem sequer
a dádiva de
sonho

Espaços de projecção como em cinema,
partículas de pó iluminadas:
o invisível pó que se respira em vão
em desertos de fé,
salas vazias

E uma coisa sem título
e apócrifa
nem sequer hora sexta
mas uma
(tão prosaica)
da manhã

Ana Luísa Amaral

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