Alvéolos ínferos


obra sucata de coração imprudente fez
               aquele não permitindo entre corpo
e linguagem sinal de menor cópula
               pensou ocupar-se apenas do espírito
atribuindo equívocos ao corpo
               e vocábulos atinados ao pensamento em repouso
mas agora o vento nos atormenta e
                nos faz presentes em meio a águas imensas
imaginamos o inimigo nas redondezas
                 e ele sem novas da guerra sequer nos pensa
nas ondas do aqueronte opulência sicária
                  naked egg insensato e levado de barca
ao mais turvo lordo da bocarra do inferno
                   setas inúteis o vencedor agitará
tendo em mira a sombra dos vencidos
                    ainda no palácio mudo de ramos e brisa
com desnecessária perícia – depelo congelado –
                    equipes rivais para distrair a eternidade
jogam um xadrez de dés no quadrículo interminável
                     uma folia de reis onde campeia o empate e
quizila sem margens jugulando talento
                      almas-rãs romaria serpente atada à
própria cola e às vezes à alheia
                      indo dar por círculos vagabundos em areia
incandescente com rastros de mais gente

Ronald Augusto

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