Faço de conta que choro
faço a gestão do silêncio
nas ruas desertas por onde caminho
sem sombra de pecado ou ilusão
apenas os passos são mais abafados
e a lua esmorece ao nascer
no início de cada noite
faço a purificação pelo fogo
dos pensamentos indecentes
inutilmente guardados durante anos
no sótão de uma casa em ruínas
já não sei o caminho de casa
perdi-me de mim na noite
faço de conta que choro
para me sentir ainda humano
mas já nada me importa
quando a vida anda foragida
acusada de ser esquecida
no dia em que me foi oferecida
Atit Ordep
05/07/2007
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