Gritos calados


Gritos calados

imagens vagas, fugitivas
gritam palavras odiosas
no muro dos silêncios consentidos

os olhos incendiados
projectam rancores obtusos
nas mulheres indefesas

o sangue que escorre
pelas mãos assassinas
tem o fedor do ódio

deseja a morte do carrasco
quando os punhos que foram mãos
amassam a sua alma torturada

facas afiadas cortam os sonhos
mulheres prisioneiras no seu corpo
gritam para que as libertem

morreram na indiferença
de quem as podia salvar
gritos calados
ainda se ouvem na noite

Atit Ordep
09/07/2007

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